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sábado, 30 de junho de 2012

Bagunça da Alma

Bagunça da Alma

Não sei quem virá ler isto
Mas preciso me reencontrar
Estou abarrotado de ideias desconexas
Como roupas jogadas pelo chão
Possuindo pouco ou nenhum padrão

Meu velho guarda-roupa de ideias
Precisa de novas cores, novas palavras
De forma que seja apenas o necessário
Detesto o consumismo em excesso
Já que as palavras são o meu vício
E quanto mais tenho, mais desejo
Ah! como eu detesto essa parte do meu ser...

 Preciso me reencontrar
E sufocar essa carcaça que me sufoca por fora
Não entendo de poesia, tampouco de arte
E assim as roupas se amontoam
Em cada peça um fragmento de vida
Não preciso de cabides
Não quero organização
Prefiro ser livre e voar no pensamento
Atingir outros planetas e descobrir o que me aguarda lá

Não sei que voz me deixa assim
Apenas sei que preciso ser
Pois isso me motiva para dar passos adiante
Fazendo com que a vida possua um sentido a mim



 

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ego


Ego

Já é manhã e ouço gritos pela rua
A realidade é só mais uma certeza
Certeza que a vida é muito estranha
Um dia se está bem e no outro é só tristeza

Aquela flor que você cultivou
Não ramifica uma nova geração
As pétalas se soltam com gritos de dor
Não conseguem mais manter os pés no chão

É tão triste ver no que o mundo se tornou
Vivemos às custas como parasitas
O goleiro não mais defende o gol
Defende apenas o que acredita

Espelhos ao redor, só refletem o egoísmo
Nada é tão perfeito quanto à imagem do próprio ser
Empurramo-nos todos para o abismo
E descobrimos que não temos nada perder

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Circunlóquio


Circunlóquio

Nada quer dizer nada
Tudo, quase tudo
Quase quer dizer pouco
Aqui, lá, longe do mundo

Nada significa tudo
Tudo não quer dizer nada
Emergência tem mais que duas saídas
E a saída nenhuma entrada

Zero pode ser nulo
Um pode ser milhões
Dois continuará par
Dentro dos nossos corações

Números são apenas números
Palavras não possuem sentido
Sentimos tudo com a nossa alma
E o enredo é sempre repetido

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Razão de Existência


Razão de Existência

Sou um pequeno grão de areia
Se comparado ao que penso
E nesta praia não mando
Fico ali, estático inoperante
Esperando o vento ou a água
Para ser levado a algum lugar
Mais profundo do existir

Assim, descobri ilhas
Que não estão em nenhum mapa
E via beleza do mundo com outros olhos
Porém, continuo um grão de areia
E tenho mais que o universo a desvendar

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Estalo


Estalo

Guarde estes versos como um templo
Não para adorar como faziam os gregos
E nem para orar como os sacerdotes
Mas sim para lembrar que há o abstrato
Para lavar a alma com a água da chuva
Purificando ainda mais seus pontos áureos

Arquiteto as palavras com cuidado
Tijolo por tijolo dando continuidade
Para que o acabamento seja feito em sua vida
E desta maneira, se não se encontrar
Ao menos dar-lhe um Norte
(Já que a vida é sem bússola)

Pavimento a semântica da rodovia poética
Para ser chão, atrito e conforto
Impulsionando assim as outras mentes
A buscarem seus próprios caminhos
E ponta a ponto nascer em poesias...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Menor Distância


A Menor Distância

A distância é boa até certo ponto:
Pontua um vazio que preenche a saudade
Que de vasta imensidão oceânica
Pode se tornar um abundante córrego de alegria

Ao primeiro toque do vento
Fazer tempestadade em copo d'água
E na última brisa da vida
Inundar um coração de amor

A distância pouca é boa
Mas a maior é melhor
Porque sufoca o peito de tal maneira
Que é impossível esquecer
Tal qual o abraço de quem a encurta
O calor, a presença, os flashes
Tudo vem à tona em arranjos florais,
Acordes musicais e beijos afetuosos

A distância é boa, faz-nos refletir
Sobre o que realmente importa
E isso não aparece escrito em livros
Mas sim nos olhares pensativos
Das pessoas nas estações da vida.

Quanto maior a distância,
Maior a imensidão imensurável
Do alívio da dor aflita e ressentida
Que já pousou no coração de quem ama
E maior também é a certeza:
"- Estar vivo é bom..."

Lamentos de um Recém-perdido


Lamentos de um Recém-perdido

Poucas palavras, tão poucas, quase mudas...
Muitas decepções, tantas, quase todas...
Escrevendo aqui, linhas cegas, linhas surdas
Com visões que caem da minha boca

Onde eu me encontro perdido?
Onde eu me perco achado?
O poema lido e não lido
Com certeza me lembra um passado

A viagem é longa e incerta
Mas o tempo é rápido, inviolável
Na vida há muitas portas abertas

Porém nenhuma controlável
E se na escolha se acerta
Bem vindo a um mundo mais agradável

Indefinido


Indefinido

Não possuo traços precisos
São tão incertos quanto o dia de amanhã
Rabisco aqui e ali e moldo
Talvez uma ideia que não valha nada
Ou que se concretize em sonhos
Mas o simples existir já cumpre,
Sem delongas, sem planos,
Sem coerência, sem rumo:
Não possuo traços precisos...

Flama


Flama

Se o destino não nos unisse
Talvez o poeta estivesse morto em vida
O amor intenso e real que nos circunda
Não faria sentido algum
Até que a morte nos separe é pouco tempo,
Para nos conhecermos melhor
Precisaríamos morrer zilhões de vezes...
E assim, a Fênix pode renascer em cada canto
A cada hora, a cada minuto, a cada segundo
E trazer de volta um amor que não morre
Ao menos não como um todo
E fazê-lo renascer como uma chama mais profunda...

segunda-feira, 14 de março de 2011

Gramático


Gramático

Sou antes de tudo, interrogação
Porque exclamo porquês
Sem a mínima dúvida, pontuação
Sou ponto final sempre ao fim do mês

Com as vírgulas respiro o canto
E acentuo as notas há muito esquecidas
De palavra em palavra, sou página em branco
Uma alma vivida e nunca lida

Ora posso ser reticências...
"Ou pensantivo assim feito aspas"
Basta um único traço e sou essência

Acrescento um pingo e sou um basta!
Sigo em rimas fora de cadência
E assim a música torna-se vasta

terça-feira, 1 de março de 2011

Manual


Manual

Às vezes me sinto como a chuva
Feliz para alguns, triste para outros
E de gota em gota preencho o papel
Não porque algo bom sairá
Mas sim simplesmente sairá algo
Que está além da minha compreensão
E assim vou regando as plantas
Talvez uma semente vire uma bela árvore
Mas o trabalho não para
Às vezes sou aquela chuva
Que deixa o ser humano mais próximo
Pois todos querem cobertura
Pelo menos aqueles que não vivem a vida
Da maneira que todos devíamos
E assim encerra o pensamento
Vai embora no primeiro raio de sol
Ou no último vento...

Humanidade


Humanidade

Estive sentado na praça olhando os pombos
"Coitados! Vivem procurando alimento
Às vezes encontram e fazem festa
Mas aí chega alguém e os dispersa;
Os pombos voam e não sabem aonde ir..."

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Relógio Poético


Relógio Poético

Agora é hora
Ora sim, ora não
Talvez apenas seja
Sem fatores do tempo
Assim no infinitivo
Onde pretérito, presente e futuro não importam
Ser, estar, viver, morrer
Todos os verbos têm um sentido eterno assim
E o tempo é apenas bobagem
O que realmente conta é o agora
O agora não morre
Vira passado, mas outro agora vem
E por isso é atemporal
Assim como todos os tempos verbais
E todo o tempo do mundo
Afinal, ontem já foi amanhã
E hoje será ontem
Não importa o tempo
O que importa é saber usar
Ler e escrever e sentir
Assim a memória não se esgota
E o tempo, nunca passa...

sábado, 27 de novembro de 2010

Ciclo


Ciclo

Um pingo, dois pingos, três pingos...

Passa a vida, passa o tempo
Alguém nasce, esperança
Alguém se vai, receio...

Não é uma luta comum a nós
Mas comum ao mundo
Beija-se a lona e se levanta

Aprende-se com os erros
E os acertos apenas se afirmam
Passam-se assim os dias

Um pingo, dois pingos, três pingos...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Prescrição


Prescrição

Pensamento e assombro
Imaginações distintas
Uma define a vida
E a outra o medo do abismo

No fundo é tudo enfrentamento
No raso é tudo a seu comando
E quando da transição
Para-se no meio do caminho
Para se ter uma vida estável, sem grandes agitos

Porém, ondas que carreguem
O peso da sina alada
Retêm os passos na estrada
Se tudo não passa
O nada avança
E deixa o nada de lembrança

Cuidado no caminho
É fundamental saber onde pisa
A areia pode ser sólida
Mas também movediça
Não pare um só minuto
Seja breve, porém maroto
Saiba quando usar a âncora
Para atracar navios de batalha

É a constante luta de viver
Arrisque-se e arrependa-se
É o processo natural de tudo
E um dia já em águas calmas
Lembre-se do que passou
E como tudo pode ficar em pouco tempo
Pois ao fim verá que valeu a pena
Sem arrependimentos por arrepender-se
Terá vivido então...


sábado, 18 de setembro de 2010

otenoS


otenoS

Tudo se baseia no tempo,
Se hoje tudo passa lento,
Amanhã serão apenas lembranças,

De ontem já não me lembro,
Desde Janeiro até Dezembro,
Minha memória já não alcança.

A vida flui em ciclos e recicla,
Nossas paixões e nossos pecados,
Ao que me parece tudo indica,
Nada estar certo ou errado.

É mesmo estranho entender,
De onde viemos ou para onde vamos,
Mas única certeza que há de ser,
É a incerteza dos seres humanos...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Viver


Viver

Nasce no mundo
Uma pequena semente
Nele é mergulhada fundo
Sem algum precedente

Cresce nesse mundo
A jovem semente
"Mas que lugar imundo
Será que niguém sente ?"

Morre naquele mundo
A nem tão velha semente
Mesmo em tempo moribundo
Teria sido escolha prudente?

By Lauro

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Crise


Crise

Demorei muito pra entender o que era vida,
E a cada hora pelo relógio percutida,
Sentia uma ânsia em querer viver.

Sentia em cada célula do meu corpo,
Um pouco mais de mim morto,
Sem espera para renascer.

A cada batida do meu coração,
Sentia que o esforço era em vão,
E no espelho eu falava comigo.

Frases refletidas em mim,
Conseguiram tornar-me enfim,
O meu verdadeiro inimigo.
 
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