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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Sobressalto

Sobressalto

 Sou atemporal
Mas nunca estive à frente do meu tempo
Talvez tenha sido apenas uma dança
Em que estivemos lado a lado
E a música que nos uniu
É trilha sonora de nossas vidas

Tempo que se esvai, some ou deixa mágoas
Versátil inimigo de amizade verdadeira
Tudo na vida dosa de sua boa vontade
Ao pontuar em tique-taques
Os compassos da minha viagem

Fito o céu e reflito
Tempo que passa entre a noite e o dia
As linhas que surgem ao longo dos anos
Fixaram na pele suas moradias

De tudo desejo no tempo exato
Prender os momentos felizes vividos
Para que toda a vida não caia no abismo
E eu não me arrependa de ter existido
 

sábado, 30 de junho de 2012

Bagunça da Alma

Bagunça da Alma

Não sei quem virá ler isto
Mas preciso me reencontrar
Estou abarrotado de ideias desconexas
Como roupas jogadas pelo chão
Possuindo pouco ou nenhum padrão

Meu velho guarda-roupa de ideias
Precisa de novas cores, novas palavras
De forma que seja apenas o necessário
Detesto o consumismo em excesso
Já que as palavras são o meu vício
E quanto mais tenho, mais desejo
Ah! como eu detesto essa parte do meu ser...

 Preciso me reencontrar
E sufocar essa carcaça que me sufoca por fora
Não entendo de poesia, tampouco de arte
E assim as roupas se amontoam
Em cada peça um fragmento de vida
Não preciso de cabides
Não quero organização
Prefiro ser livre e voar no pensamento
Atingir outros planetas e descobrir o que me aguarda lá

Não sei que voz me deixa assim
Apenas sei que preciso ser
Pois isso me motiva para dar passos adiante
Fazendo com que a vida possua um sentido a mim



 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Confissões


Confissões

Por fora sou trevas
Devido à ausência da sua luz
Ou do seu sorriso tímido
Que tanto me agrada

Mas guardo você aqui dentro
Como um pirata esconde o tesouro
E muitas vezes não sei onde
Mas sei que está aqui em algum lugar

E se num gesto brando você exala amor
O seu doce canto embala meu pensamento
Em um tom suave de paixões infinitas

O brilho obscuro do seu olhar
Perfura e me pega pelas veias
E assim eu fluo você...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ego


Ego

Já é manhã e ouço gritos pela rua
A realidade é só mais uma certeza
Certeza que a vida é muito estranha
Um dia se está bem e no outro é só tristeza

Aquela flor que você cultivou
Não ramifica uma nova geração
As pétalas se soltam com gritos de dor
Não conseguem mais manter os pés no chão

É tão triste ver no que o mundo se tornou
Vivemos às custas como parasitas
O goleiro não mais defende o gol
Defende apenas o que acredita

Espelhos ao redor, só refletem o egoísmo
Nada é tão perfeito quanto à imagem do próprio ser
Empurramo-nos todos para o abismo
E descobrimos que não temos nada perder

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Menor Distância


A Menor Distância

A distância é boa até certo ponto:
Pontua um vazio que preenche a saudade
Que de vasta imensidão oceânica
Pode se tornar um abundante córrego de alegria

Ao primeiro toque do vento
Fazer tempestadade em copo d'água
E na última brisa da vida
Inundar um coração de amor

A distância pouca é boa
Mas a maior é melhor
Porque sufoca o peito de tal maneira
Que é impossível esquecer
Tal qual o abraço de quem a encurta
O calor, a presença, os flashes
Tudo vem à tona em arranjos florais,
Acordes musicais e beijos afetuosos

A distância é boa, faz-nos refletir
Sobre o que realmente importa
E isso não aparece escrito em livros
Mas sim nos olhares pensativos
Das pessoas nas estações da vida.

Quanto maior a distância,
Maior a imensidão imensurável
Do alívio da dor aflita e ressentida
Que já pousou no coração de quem ama
E maior também é a certeza:
"- Estar vivo é bom..."

terça-feira, 1 de março de 2011

Manual


Manual

Às vezes me sinto como a chuva
Feliz para alguns, triste para outros
E de gota em gota preencho o papel
Não porque algo bom sairá
Mas sim simplesmente sairá algo
Que está além da minha compreensão
E assim vou regando as plantas
Talvez uma semente vire uma bela árvore
Mas o trabalho não para
Às vezes sou aquela chuva
Que deixa o ser humano mais próximo
Pois todos querem cobertura
Pelo menos aqueles que não vivem a vida
Da maneira que todos devíamos
E assim encerra o pensamento
Vai embora no primeiro raio de sol
Ou no último vento...

Humanidade


Humanidade

Estive sentado na praça olhando os pombos
"Coitados! Vivem procurando alimento
Às vezes encontram e fazem festa
Mas aí chega alguém e os dispersa;
Os pombos voam e não sabem aonde ir..."

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Relógio Poético


Relógio Poético

Agora é hora
Ora sim, ora não
Talvez apenas seja
Sem fatores do tempo
Assim no infinitivo
Onde pretérito, presente e futuro não importam
Ser, estar, viver, morrer
Todos os verbos têm um sentido eterno assim
E o tempo é apenas bobagem
O que realmente conta é o agora
O agora não morre
Vira passado, mas outro agora vem
E por isso é atemporal
Assim como todos os tempos verbais
E todo o tempo do mundo
Afinal, ontem já foi amanhã
E hoje será ontem
Não importa o tempo
O que importa é saber usar
Ler e escrever e sentir
Assim a memória não se esgota
E o tempo, nunca passa...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Eu Não Te Amo


Eu Não Te Amo

Eu não te amo
Foi tudo uma mentira,
Inventada para alimentar o ego
E ficar mais seguro de mim
Sim, eu não presto!
Não acredito em amor à primeira vista
Acredito apenas em algo
Que não sei bem o que é
E acredito que você também não
E por isso eu digo: eu não te amo
Eu sei que é duro saber
Esta realidade de TV não é nossa
Pode ser que algo real e imenso esteja lá
Mas cá entre nós, o que poderia ser?
Voltei às minhas dúvidas
Sem enfim perguntar
E a sua resposta com um olhar já me basta
Assim terei certeza que não te amo
Mas que vivo com intensa chama
Que acende em meu peito quando estou com você
Você me diz que isso é amor
E eu te pergunto: Será?

sábado, 27 de novembro de 2010

Ciclo


Ciclo

Um pingo, dois pingos, três pingos...

Passa a vida, passa o tempo
Alguém nasce, esperança
Alguém se vai, receio...

Não é uma luta comum a nós
Mas comum ao mundo
Beija-se a lona e se levanta

Aprende-se com os erros
E os acertos apenas se afirmam
Passam-se assim os dias

Um pingo, dois pingos, três pingos...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Um Saber Poético


Um Saber Poético

Não escrevo mais com paixão
Deixo o ciclo fluir na alma em compaixão
Pois assim exige um nada
De tudo um pouco.
Porque o verso que é verso
Não versa sobretudo, nada

Hoje não sou mais
Ao mesmo tempo, não menos
Penso em problemas e logo
A confusão se instala
Mas há uma voz coerente
Rouca, muda, sussurrada
Quase um grito!!!

E me vem esse furor
Esta vontade de escrever
Descrever o meu estado
Mas ainda sem paixão...

E a voz está aqui em algum lugar
Querendo ser escutada
Não ouço sequer uma palavra
Coração, será que se foi?
Não posso deixá-lo sem bater
E a cabeça sem pensar
E o corpo ficando parado.

Medito, penso, vazio
Vazio, medito, cresço
Não fisicamente, mas espiritualmentamente
E aqui sou gigante
Achei o meu cenário
Mas continuo sem paixão...

Cadê a veia poética?
Anda perdida, sem rumo?
Sempre em conflito me encontro
Nunca em guerra
Procurando paz
E assim talvez, a paixão...

Mas continua obscuro
E eu não me encontro certo,
Coerente, concatenado
E quando me pergunto
"Ainda sem paixão?"
A resposta está aqui, dentro do caos!

Prescrição


Prescrição

Pensamento e assombro
Imaginações distintas
Uma define a vida
E a outra o medo do abismo

No fundo é tudo enfrentamento
No raso é tudo a seu comando
E quando da transição
Para-se no meio do caminho
Para se ter uma vida estável, sem grandes agitos

Porém, ondas que carreguem
O peso da sina alada
Retêm os passos na estrada
Se tudo não passa
O nada avança
E deixa o nada de lembrança

Cuidado no caminho
É fundamental saber onde pisa
A areia pode ser sólida
Mas também movediça
Não pare um só minuto
Seja breve, porém maroto
Saiba quando usar a âncora
Para atracar navios de batalha

É a constante luta de viver
Arrisque-se e arrependa-se
É o processo natural de tudo
E um dia já em águas calmas
Lembre-se do que passou
E como tudo pode ficar em pouco tempo
Pois ao fim verá que valeu a pena
Sem arrependimentos por arrepender-se
Terá vivido então...


sábado, 5 de junho de 2010

Presença


Presença

Fechei os meus olhos e enxerguei você,
Abri os meus olhos e desapareceu,
Melhor ficar cego para poder te ver,
Do que poder ver e enxergar só o breu.

No escuro sua voz acalanta o meu sono,
Em sonhos sua voz me desperta ao acaso,
Os seus lábios a mim transmitem o outono,
E o seu calor perpetua a longo prazo.

O perfume que exala a primavera,
É o mesmo que emana do seu corpo,
E que ao meu olfato pincela.

Sua pele leva ao conforto,
Que nenhum segredo revela,
E me devora pouco a pouco.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Poema


Poema

Se você se deita e fecha os olhos,
O tempo para e admira cada pulso,
Cada lento movimento em seus olhos,
Faz com que a correnteza mova o curso.

Se você se levanta e dá suspiros,
O dia acorda pra poder te ver,
À noite a lua fortalece o brilho,
E o mundo gira em torno de você.

Você drena todo o oceano meu,
E deságua em versos tolos que crio,
Enquanto luto para te alcançar,
Você se afasta mais do meu navio,

Enfrento chuvas e trovões,
Para ancorar em sua ilha,
Que entre pedras e vulcões,
O meu coração resfria.

E se no encontro dessas almas,
Que sozinhas vagam em meio à multidão,
Vem a brisa livre e calma,
A favor da nossa união,

Sei que não haverá tempo perdido,
Se estivermos dispostos a lutar,
E viveremos nesse abrigo,
Debaixo das ondas do mar.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

De Corpo e Alma


De Corpo e Alma

Com meu lábio junto ao seu,
Senti o meu corpo ferver.
E de repente apareceu,
Um calor de derreter.

Congelado pelo sabor,
Estático, sem reação,
Sem saber se era amor,
Sentindo palpitar o coração.

Boca na boca, mão na cintura,
Pele na pele, forte paixão,
Apesar de intensa, pura candura,

Sei não ser uma ilusão,
Pois a sensação continua,
E sinto o beijo com a carnal sensação.

By Lufe

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Meu Crime


Meu Crime

Meu crime, inconfessável desejo,
Deposto na boca que beijo,
Faz-me réu perante o tribunal do amor,
Condenado ao doce exílio em seus lábios,
Prisão perpétua em seu perfume de flor,
Detenção em seus cabelos mágicos.

É uma paixão sem antecedentes,
Que aconteceu assim inocente,
Transformando-se em crime passional,
Doloso ou culposo, ou talvez os dois,
Sem Habeas Corpus, sem condicional,
Sem vestígios e sem conclusões,

O meu crime é o amor que prendi pra você...
 
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