terça-feira, 18 de maio de 2010

Mão Dupla


Mão Dupla

O meu amar é verbo bitransitivo,
Ora pede complemento, ora não,
Ora pega a caneta e escreve um livro,
Ora se arrepende pedindo perdão.

Não que tenha feito algo errado,
Apenas é parte de sua natureza,
Entre tantos sujeitos e predicados,
É preciso um pouco de destreza.

Considero o meu amar uma avenida,
Onde paixões circulam num vai e vem,
Passam rápidas as paixões da vida,

Passa lento o tempo pra esquecer alguém,
A hora voa quando esquecida,
E o tempo para quando vai além.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Dois


Dois

Somos somente nós dois, corpo e alma,
Vida e oxigênio, amor e união, voz e violão.
Somos somente nós dois, manhã e noite,
Lua e sol, mar e oceano, sentimento e lembrança.

Somos somente nós dois, ação e reação,
Música e espírito, palavras e poemas, imagens e retratos.
Somos somente nós dois, crença e religião,
Arte e história, vitória e batalha, aventura e meditação.

Somos somente nós dois, tempo e momento,
Minutos e segundos, dor e prazer, risos e sorrisos.
Somos somente nós dois, céu e ar,
Vento e brisa, água e sede, luz e sombra.

E quando um encontra mais um, forma-se o par,
A unificação entre duas partículas sós e solitárias,
E quando ocorre a fusão, forma-se o sólido,
Sólido e concreto amor.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Meu Crime


Meu Crime

Meu crime, inconfessável desejo,
Deposto na boca que beijo,
Faz-me réu perante o tribunal do amor,
Condenado ao doce exílio em seus lábios,
Prisão perpétua em seu perfume de flor,
Detenção em seus cabelos mágicos.

É uma paixão sem antecedentes,
Que aconteceu assim inocente,
Transformando-se em crime passional,
Doloso ou culposo, ou talvez os dois,
Sem Habeas Corpus, sem condicional,
Sem vestígios e sem conclusões,

O meu crime é o amor que prendi pra você...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Reciclagem


Reciclagem

Eu não sei se é só mania minha,
Mas frente a frente a você não uso falar.
Palavras ecoam, ecoam na mente,
Tento apanhá-las e quando as pego,
Sinto que não valem nada.
São insignificantes em relação ao tempo,
Ou ao gesto de um abraço tenro,
Ou a doce melodia da sua voz.
Tenho em mãos dicionários e livros,
E nenhum traduz a sensação,
Que levemente plana ao nosso redor,
É uma sensação antiga que não envelhece,
Como as ondas do mar,
Quando saem à procura de inspiração,
E vêm até a praia,
Porém se não a encontram,
Retornam ao lar e recomeçam.
E é assim que me sinto a sua frente,
Um recomeço de vida a cada dia,
Uma eterna busca por inspiração,
E me inspiro a cada minuto ao seu lado.



quarta-feira, 14 de abril de 2010

Esperança



Esperança

Quando os meus lábios sentirem os seus,
Renascerá um amor que se perdeu,

Um hiato de longos anos.

Quantas foram as noites escuras,
Quantas luas eu aguardei,
Para que guiasse o meu caminho.

Enquanto você não vem,
Estarei esperando e guardando,
O amor que lhe reservo por anos.

Quando os meus lábios sentirem os seus,
A minha vida, a minha alma estará completa,
E repleta de felicidade,

Mas só quando os meus lábios sentirem os seus.

 
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